Perder peso ajuda na prevenção e no tratamento de câncer

Que a obesidade afeta o coração e pode causar problemas de saúde, como diabetes, a maioria já sabe. Mas o excesso de peso pode aumentar também o risco de câncer – estima-se que 30% de alguns tipos da doença estão relacionados à obesidade, ou seja, podem ser evitados com um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e atividade física.

Por isso, quem perde peso tem menor risco de desenvolver a doença e, no caso de pacientes obesos, a perda de peso também aumenta as chances de cura durante o tratamento e ainda pode evitar que a doença volte, como explicaram o oncologista Fernando Maluf e o endocrinologista Alfredo Halpern.

De acordo com os médicos, a obesidade eleva o risco do paciente desenvolver câncer porque o tecido gorduroso aumenta a produção do hormônio estrogênio, que pode, por exemplo, favorecer o surgimento de tumores na mama e endométrio nas mulheres.

Além disso, o aumento dos níveis de insulina também favorece o crescimento de células cancerígenas, como explicaram os médicos. A obesidade promove ainda um aumento na inflamação do organismo, o que também contribui para o surgimento da doença. Além do câncer de mama e endométrio, o de esôfago, intestino, reto, rins e pâncreas também estão entre os tipos mais relacionados à obesidade.

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Até mesmo quem já terminou o tratamento contra a doença precisa se preocupar em manter o peso, como mostrou a reportagem da Luma Leão, em Gramado, no Rio Grande do Sul.

No caso da engenheira civil Luciana Dale, por exemplo, a perda de peso é fundamental para que o câncer não volte - por isso, ela se inscreveu em um programa voltado para pacientes que tiveram câncer. Com atividades, exames, exercícios e terapias, os pacientes mantém um estilo de vida com hábitos saudáveis, inclusive na alimentação, como mostrou a reportagem (confira no vídeo).

Segundo o oncologista Fernando Maluf, é importante ressaltar que uma dieta nutritiva e a prática regular de atividade física deve fazer parte do tratamento do câncer, juntamente com todas as outras ferramentas, como a quimioterapia, por exemplo.

Porém, em alguns casos, o tumor pode causar metástase, quando as células se descolam, chegam na corrente sanguínea e se instalam em um tecido ou órgão diferente do local em que surgiu pela primeira vez.

Segundo o cientista Rafael Malagoli Rocha, ainda não se sabe exatamente como isso acontece, mas caso o paciente tenha células tumorais que circulam pelo corpo, isso pode ser um indicativo de que há o risco de metástase.

Além disso, cada tipo de câncer tem locais preferenciais para desenvolver a metástase - no câncer de mama, por exemplo, a chance é maior no cérebro e no pulmão. Por isso, quanto antes for feito o diagnóstico e o tratamento, melhor para o paciente. Enquanto isso, os pesquisadores seguem tentando desenvolver drogas capazes de interferir nessa comunicação entre as células para impedir o processo metatástico.

Poluição
Além da obesidade, há pesquisas que comprovam que a poluição do ar também aumenta o risco de câncer, especialmente do pulmão e da bexiga.

De acordo com o patologista Paulo Saldiva, as cidades começaram a acumular trânsito e os moradores ficam presos respirando substâncias nocivas causadores da doença. Motoristas de táxi e de ônibus e vendedores de rua, por exemplo, estão entre os grupos de risco da doença.

Porém, não basta estar exposto à poluição - pessoas que têm histórico da doença na família e fumam, por exemplo, também têm chances maiores. Além do câncer, o endocrinologista Alfredo Halpern lembrou que a poluição aumenta ainda as chances de obesidade e diabetes. Para evitar essas consequências, os especialistas ressaltam a importância da perda de peso e também do controle ambiental e da menor exposição ao trânsito e à poluição.

Fonte: G1